🔎 Rastreios recomendados e os que não devem ser feitos de rotina.
🚫 Rastreios que NÃO devem ser realizados



Rastreios que não devem ser realizados:
1. Adenocarcinoma de esôfago (ACE)
3. Câncer de ovário
5. Câncer de tireoide
7. Doença arterial coronariana
9. Estenose de carótida
2. Bacteriúria assintomática
4. Câncer de pâncreas
6. Câncer de testículos
8. Doença pulmonar obstrutiva crônica
♀ Rastreios — Saúde da Mulher 23
Sobre
- A hipertensão arterial (HA) é uma doença de alta prevalência e morbimortalidade, tem evolução assintomática por longo período e é capaz de comprometer a função de diversos órgãos, em especial aumentando o risco de eventos cardiovasculares.
- As medidas de pressão arterial com esfigmomanômetro em consultório, seguindo uma sistemática padronizada de execução, servem de referência no rastreamento da HA e a PA de 140 mmHg x 90 mmHg deve ser usada como limiar de positividade.
- O rastreamento da PA em consultório pode incorrer em resultado falso-negativo (“HA mascarada”) ou falso-positivo (“HA do jaleco branco”), vieses que podem ser revistos por meio de medidas de PA ambulatoriais (MAPA) ou residenciais (MRPA). Muitas opções de tratamento medicamentoso e intervenções não medicamentosas, eficazes, disponíveis e acessíveis, tornam o balanço entre benefícios e riscos do rastreamento da HA amplamente positivo.
Fatores de Risco


Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear em todas as pessoas de 18 a 75 anos, assintomáticas, da população geral.
- Rastrear anualmente pessoas com risco elevado (Tabela 1) ou com idade ≥ 40 anos, e a cada 3 a 5 anos, pessoas em risco normal ou < 40 anos.
- Aferir a PA com pelo menos 2 MRPA ou usando técnica padronizada em consultório em pelo menos 2 consultas médicas em horários ou dias diferentes. Complementar com novas MRPA ou MAPA, em caso de persistência de dúvida diagnóstica.
- Após o rastreamento, positivo ou negativo, informar o(a) paciente dos seus níveis pressóricos e oferecer orientação preventiva ou tratamento adequado.
Ministério da Saúde
- Está recomendado o rastreamento da hipertensão arterial nos adultos (acima de 18 anos) sem o conhecimento de que sejam hipertensos. Grau de recomendação A.
Como rastrear


- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
Sobre
- As doenças cardiovasculares (DCV) ainda são a maior causa de mortes prematuras no mundo, representando cerca de 16% de todos os óbitos. Tabagismo, hipertensão arterial, dislipidemia, diabete melito, obesidade e antecedente familiar estão entre seus principais fatores de risco.
- Teste ergométrico, ecocardiograma ou cintilografia miocárdica após estresse físico ou farmacológico, angiotomografia de coronária com escore de cálcio ou cateterismo cardíaco não são exames adequados para rastrear doença arterial coronariana em pessoas assintomáticas.
- O risco de apresentar uma doença cardiovascular em 10 anos (RCV10) pode ser estimado por meio de calculadoras que utilizam equações obtidas a partir de estudos epidemiológicos, nos quais são controlados os principais fatores de risco das DCV.
- O RCV10 pode ser reduzido através de medidas efetivas de mudanças de estilo de vida, como cessação do tabagismo, atividade física, alimentação saudável e controle do peso corporal, assim como pelo controle da hipertensão arterial, diabete e dislipidemia.
Fatores de Risco

Ministério da Saúde
- Rastreamento em homens
- Está recomendado fortemente o rastreamento das desordens lipídicas em homens com 35 anos ou mais. Grau de recomendação A.
- Recomenda-se também o rastreamento das desordens lipídicas em homens com 20 a 35 anos quando se enquadrarem como um grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação B.
- Não há recomendação contra ou a favor do rastreamento das desordens lipídicas em homens com 20 a 35 anos se eles não estiverem em grupo alto risco cardiovascular. Grau de recomendação C.
- Rastreamento em mulheres
- Recomenda-se fortemente o rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 45 anos ou mais quando se enquadrarem como grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação A.
- Recomenda-se também o rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 20 a 45 anos quando se enquadrarem como um grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação B.
- Não há recomendação contra ou a favor do rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 20 anos ou mais se elas não estiverem em grupo alto risco cardiovascular. Grau de recomendação C.
- Outras situações clínicas:
- Devem ser rastreados os níveis de colesterol de todos os pacientes com DAC, bem como os equivalentes coronarianos (outras formas clínicas de aterosclerose), tais como:
- Aneurisma de aorta abdominal;
- Estenose de coronária sintomática (AIT ou AVC de origem de carótida com > de 50% de estenose da artéria carótida);
- Doença arterial periférica;
- Paciente com Diabete mellitus;
- Paciente com dois ou mais fatores de risco e com uma projeção de 20% de risco de desenvolver DAC em 10 anos;
- Hipertrofia ventrículo esquerdo “definitiva”, de acordo com o estudo de Framingham (skolov-lyon [onda S V1 + onda R V5 ou V6] + infradesnivelamento de ST ou inversão de onda T em V5 e V6).
- O intervalo ótimo para rastreamento é incerto e este está principalmente fixado de acordo com o risco cardiovascular. Quanto maior o risco, menor o intervalo de rastreamento. Com base em outros protocolos e opinião de especialistas, uma opção razoável e referida na Força-Tarefa Americana é um intervalo de cinco anos, para a população geral com resultados normais (Evidência nível III).
Como rastrear?
- Existe boa evidência de que a dosagem dos lipídios séricos pode identificar homens e mulheres assintomáticas que são elegíveis para a terapia preventiva. Níveis altos do colesterol total (CT) e da lipoproteína de baixa densidade de colesterol (LDL-C), assim como baixos níveis de lipoproteína de alta densidade de colesterol (HDL-C), são importantes fatores de risco para doença arterial coronariana (DAC).
- Como interpretar os resultados? Existem boas evidências que as terapias com drogas redutoras dos lipídios substancialmente reduzem a incidência de doença arterial coronariana em pessoas com anormalidade lipídicas com alto risco cardiovascular. A interpretação dos resultados depende da suscetibilidade basal de cada indivíduo. Para calcular o risco cardiovascular, existem tabelas como a de Framingham. Assim, quanto menor o risco, menor a necessidade de medicar e maiores os prazos que a equipe de saúde tem – para construir estratégias contextualizadas e culturalmente aceitáveis – para se alcançar uma mudança sustentável no estilo de vida. Vários algoritmos foram desenvolvidos para guiar os médicos na decisão de tratamento, entretanto, o manejo segue sendo individualizado



- Referência:
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
Fatores de Risco


Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear PD/DM2 em pessoas de 18 a 75 anos, assintomáticas, da população geral.
- Levar em consideração a idade, o IMC e o cálculo prévio do Risco de Diabete Melito em 10 anos (RDM10) pelo FINDRISC na indicação e periodicidade do rastreamento.
- Para pessoas entre 18 e 45 anos de idade e com IMC < 25 kg/m2, não rastrear se RDM10 < 17%, ou rastrear anualmente se RDM10 ≥ 17%.
- Para pessoas entre 35 e 44 anos e IMC ≥ 25 kg/m2, rastrear de 3 em 3 anos se RDM10 < 17%, ou anualmente se RDM10 ≥ 17%.
- Para pessoas de 45 anos ou mais, rastrear todos os indivíduos de 3 em 3 anos se RDM10 < 17%, ou anualmente se RDM10 ≥ 17%.
- Utilizar a dosagem de glicemia de jejum ou, onde possível, esta e a HbA1C, simultaneamente, como métodos de rastreamento.
- Oferecer medidas adequadas de tratamento e prevenção da progressão do Pré-DM e do DM2 e suas complicações aos pacientes com rastreio positivo.
USPFTF
- USPSTF recomenda rastrear PD e DM2 apenas em pessoas entre 35 e 70 anos de idade com sobrepeso ou obesidade.
Ministério da Saúde
- O Ministério da Saúde (MS) do Brasil, sem entrar em detalhes específicos, recomenda rastrear PD/DM2 em:
- A. todos os indivíduos assintomáticos com sobrepeso (IMC ≥ 25 kg/m2) e com fatores de risco adicionais, dentre os quais o sedentarismo, familiar em primeiro grau com DM, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, histórico pessoal de DCV, acantose nigricans e mulheres com passado de SOP (síndrome dos ovários policísticos), diabetes gestacional ou gravidez com feto ≥ 4 kg;
- B. todos os indivíduos acima de 45 anos, independentemente dos fatores citados. A periodicidade do rastreamento deve ser de 3 em 3 anos, até que PD/DM2 seja diagnosticado.
Como Rastrear
- A glicemia de jejum, a dosagem de HbA1C e o teste de tolerância à glicose (GTT) são os métodos laboratoriais habitualmente propostos para o rastreamento do PD/DM2.
- O GTT com dosagem da glicemia após 2 horas da ingestão de 75 g de glicose parece ser o método mais acurado para o diagnóstico de ambas as condições clínicas. Porém, as suas características peculiares – necessidade de jejum prévio, ingestão de uma forte carga de açúcar nem sempre bem tolerada e a permanência de ao menos duas horas no laboratório, para coleta de amostras de sangue – impõem dificuldades práticas e podem incorrer em perda de adesão dos pacientes, o que é um sério obstáculo para escolhê-lo como primeira linha do rastreamento.
- A dosagem da glicemia de jejum é, nesse sentido, um método mais viável para o check-up, por ser mais confortável para o paciente e de execução menos exigente. Entretanto, também necessita de jejum alimentar mínimo de 8 horas para que o resultado possa ser comparado com os valores de referência padronizados pelos laboratórios.
- Ao contrário da glicemia de jejum, um teste mais sensível do que específico, a dosagem de hemoglobina glicada é menos sensível e mais específica para o diagnóstico de PD/DM2. Por essa razão, apesar do teste não ter outro inconveniente além da picada para colher o sangue, o seu uso isolado como método de rastreamento é questionável. A sua solicitação pode ficar reservada como segundo passo, após a glicemia de jejum se mostrar alterada, ou ambos os testes serem simultâneos, dado que se complementam. Diante de resultados conflitantes ou duvidosos do teste da glicemia em jejum e da HbA1C, o GTT estaria indicado.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
Sobre
- Dentre as dislipemias, a alteração do colesterol total e suas frações associa-se a doenças cardiovasculares e a hipertrigliceridemia está ligada à doença hepática gordurosa não alcoólica e à pancreatite aguda.
- A hipercolesterolemia é um dos maiores fatores de risco para as doenças cardíacas e cerebrais isquêmicas em países desenvolvidos e em desenvolvimento.
- A dosagem dos lípides plasmáticos permite o diagnóstico das dislipidemias; a periodicidade dos testes depende da persistência de seus próprios fatores de risco e também da estimativa do risco de doença cardiovascular.
- As mudanças de estilo de vida (dieta saudável e atividade física regular) e as estatinas são a primeira opção no tratamento das dislipidemias; as metas de concentração plasmática de LDL variam de 50 a 130 mg/dL e dependem do grau de risco cardiovascular.
Fatores de Risco

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear a dislipidemia em pessoas adultas, assintomáticas, entre 18 e 75 anos.
- Estimar, subjetivamente, o risco de dislipidemia com base na relação de fatores de risco da Tabela 1.
- Quantificar laboratorialmente o colesterol total, a fração HDL e os triglicerídeos plasmáticos, e calcular indiretamente ou dosar diretamente o LDL.
- Para pessoas entre 18 e 40 anos de idade, após um primeiro rastreamento negativo, repetir os testes a cada 5 anos, se o risco de dislipidemia for baixo ou moderado, e a cada 3 anos em caso de risco alto (Tabela 1).
- Para pessoas acima de 40 anos de idade, após um primeiro rastreamento negativo, repetir os testes a cada 3 anos, se o RCV for baixo ou intermediário, e a cada ano, se o RCV10 for alto.
USPFTF
- A USPSTF não faz recomendação explícita sobre o rastreamento de adultos entre 18 e 39 anos de idade.
- A partir de 40 anos a recomendação de rastrear os lípides plasmáticos é atrelada ao cálculo de risco para indicação de estatinas para prevenção primária de doença cardiovascular.
Ministério da Saúde
- Rastreamento em homens
- Está recomendado fortemente o rastreamento das desordens lipídicas em homens com 35 anos ou mais. Grau de recomendação A.
- Recomenda-se também o rastreamento das desordens lipídicas em homens com 20 a 35 anos quando se enquadrarem como um grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação B.
- Não há recomendação contra ou a favor do rastreamento das desordens lipídicas em homens com 20 a 35 anos se eles não estiverem em grupo alto risco cardiovascular. Grau de recomendação C.
- Rastreamento em mulheres
- Recomenda-se fortemente o rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 45 anos ou mais quando se enquadrarem como grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação A.
- Recomenda-se também o rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 20 a 45 anos quando se enquadrarem como um grupo de alto risco para doença coronariana. Grau de recomendação B.
- Não há recomendação contra ou a favor do rastreamento das desordens lipídicas em mulheres com 20 anos ou mais se elas não estiverem em grupo alto risco cardiovascular. Grau de recomendação C.
Como Rastrear
- A determinação do perfil lipídico é a forma de rastrear e diagnosticar as dislipidemias. A detecção direta do CT, HDL e TG plasmáticos apresenta boas sensibilidade e especificidade (entre 80% e 90%).
- Já o LDL pode ser dosado diretamente, como os anteriores, ou calculado por meio de fórmulas. A detecção direta apresenta grandes variações entre os diferentes métodos disponíveis no mercado (até 30%) e, por essa razão, ainda é menos recomendada na prática clínica. Portanto, a quantificação indireta, usando fórmulas como as de Friedewald e Martin, é preferível e as fórmulas são usadas alternadamente, dependendo dos níveis basais de TG.
- Os lípides podem ser quantificados com ou sem jejum, a critério do(a) médico(a) solicitante, sem prejuízo da acurácia dos resultados obtidos. Obviamente, a ausência de jejum facilita o acesso (pode ser colhido a qualquer hora do dia) e a aderência ao teste. Por outro lado, a coleta de sangue para outros testes concomitantes, cujo jejum é obrigatório (p. ex., glicemia matinal), pode incluir também material para a dosagem do perfil lipídico. A Tabela 2 discrimina, entretanto, valores de referência discretamente diferentes para interpretação dos resultados de exames feitos com e sem jejum.

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
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Fatores de Risco



Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear infecção por HIV em todos os homens e mulheres de 18 a 65 anos.
- Estimar subjetivamente o risco de contaminação por HIV em baixo, alto ou muito alto (Tabelas 1 e 2). Para pessoas com idade < 18 anos ou entre 66 e 75 anos, rastrear apenas aquelas com alto ou muito alto risco de contaminação por HIV.
- Utilizar testes rápidos (TR1 e TR2) que, a depender dos resultados, podem ser complementados com imunoensaios laboratoriais para detecção de anticorpos anti-HIV1, anti-HIV2 e antígeno p24.
- Para homens que fazem sexo com outros homens (HSH) e usuário de drogas injetáveis, que testem “HIV-negativo”, considerar o rastreamento adicional para avaliar a necessidade de cuidados preventivos intensivos e PrEP.
- Complementar o diagnóstico e encaminhar para tratamento todos os indivíduos rastreados “HIV positivo”. Repetir o rastreamento periodicamente, definido em conjunto entre médico(a) e paciente, no caso de risco persistentemente alto ou muito alto de contaminação.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
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Sobre
- A prevalência crescente, a associação com outras infecções sexualmente transmissíveis (IST), os longos períodos assintomáticos ou de latência e a alta morbidade fazem da sífilis um alvo preferencial do rastreamento.
- Testes não treponêmicos – TNT (p.ex., VDRL) e treponêmicos – TT (p.ex., FTA-Abs, ELISA) apresentam boa acurácia para o diagnóstico da sífilis em todas as fases de evolução. O Ministério da Saúde do Brasil propõe vários fluxogramas de decisão para o diagnóstico laboratorial de sífilis com TT e TNT, incluindo testes rápidos, em combinações variáveis.
- Mesmo depois de 100 anos da sua descoberta e uso clínico, a penicilina continua sendo o tratamento de escolha para a maioria das formas de apresentação da sífilis. Existe evidência convincente de que a antibioticoterapia cura sífilis, previne a evolução para formas mais tardias e agressivas e interrompe a sua cadeia de transmissão.
Fatores de Risco

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear sífilis em homens e mulheres entre 18 e 75 anos de idade, assintomáticos, mas com moderado ou alto risco de infecção por Treponema pallidum, conforme fatores expostos na Tabela 1.
- Utilizar, como método de rastreamento, um TT (rápido, FTA-Abs, ELISA) e um TNT (VDRL ou outro), os que estiverem mais disponíveis e acessíveis.
- Se houver discordância de resultados entre o TT e o TNT, aprofundar a investigação clínica, se necessário, com apoio de especialista.
- No caso de rastreamento com TT e TNT negativos, fornecer orientação preventiva e rerrastrear de acordo com o grau de risco estimado, uso de PrEP e idade.
- No caso de rastreamento com TT e TNT positivos para sífilis, tratar e alertar sobre a necessidade de rastreamento dos eventuais contactantes.
- Em geral, recomenda-se: A. Paciente com menos de 30 anos ou em risco moderado para a infecção, repetir testes a cada 12 meses; B. Paciente em risco alto, repetir a cada 6 meses; C. Paciente HSH em uso de PrEP, repetir os exames de 3 em 3 meses. Todos deve receber orientação preventiva, como o uso de preservativo em todas as relações sexuais.
Demais recomendações
- O CDC e o American College of Obstetricians and Gynecologists recomendam rastrear, pelo menos anualmente: HSH, pessoas vivendo com HIV, pessoas que vivem em instituições carcerárias ou correcionais. A HIV Medicine Association recomenda que todos os pacientes vivendo com HIV sejam rastreados no atendimento inicial e depois periodicamente, de acordo com o risco de contaminação.

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- A OMS estima que um quarto da população mundial está infectada pelo bacilo causador da tuberculose, mas sem sintomas ou capacidade de transmissão da infecção. A essa situação dáse o nome de infecção latente pela Mycobacterium tuberculosis (ILTB).
- O rastreamento da ILTB se justifica para quem pode se beneficiar do tratamento, como pessoas que: vivem com HIV; pertencem ou trabalham no sistema prisional ou em instituições de longa permanência; serão submetidas a imunossupressão; estão gravemente desnutridas, dentre outros.
- Há testes capazes de detectar a presença de ILTB: a prova tuberculínica com PPD usando a técnica de Mantoux e testes laboratoriais do tipo IGRA (Interferon-Gamma Release Assay) possuem boa acurácia geral e estão disponíveis em nosso meio.
- Portadores de ILTB podem ser submetidos a tratamento medicamentoso com isoniazida, rifampicina, rifapentina ou combinações de drogas. O tratamento da ILTB chega a reduzir em 65%, em média, o risco de progressão para a tuberculose ativa (TB ativa).
Fatores de Risco

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear a ILTB em pessoas entre 18 e 75 anos de idade, em situação de alto risco, dentre as descritas na Tabela 1.
- Informar os(as) pacientes candidatos(as) a rastreamento dos benefícios e riscos de fazê-lo e compartilhar a decisão a ser tomada.
- Utilizar a prova tuberculínica, disponível na rede do SUS, ou o IGRA, disponível em alguns serviços de laboratório clínico, como métodos de rastreio.
- Para pacientes que rastrearem negativamente, repetir os exames conforme o nível e a persistência do risco (Tabela 1).
- Para pacientes que rastrearem positivamente (prova tuberculínica ≥ 10 mm ou IGRA+), aprofundar a investigação no sentido de afastar TB ativa. Para pacientes com ILTB confirmada, introduzir tratamento medicamentoso, se necessário, com apoio de especialista.
Demais recomendações
- A OMS não recomenda o rastreamento sistemático de pacientes com diabete, consumo alcoólico nocivo ou com baixo peso, exceto se tiverem outros fatores de risco predisponentes
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
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Sobre
- O vírus da hepatite B (VHB) é transmitido por contato sanguíneo ou sexual e acomete centenas de milhões de pessoas no mundo. A história natural da infecção pelo HBV é marcada por evolução silenciosa; muitas vezes, a doença é diagnosticada décadas após a infecção.
- A sorologia para VHB com detecção do HBsAg, anti-HBsAg e anti-HBc (IgM e total), HBeAg e anti-HBe mostra boa acurácia para diferenciar os vários momentos da evolução da infecção.
- O tratamento tende a reduzir ou eliminar a carga viral, impedir a evolução da hepatite para quadros clínicos mais graves e interromper a cadeia de transmissão. A prevenção primária deve enfatizar a proteção sexual, o não compartilhamento de seringas, o uso de equipamento de proteção individual (EPI) e o incentivo à vacinação.
Fatores de Risco

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear homens e mulheres, vacinados ou não contra VHB, entre 18 e 75 anos, quanto ao risco de contágio para a infecção por VHB (ver Tabela 1).
- Fornecer orientação preventiva aos indivíduos de baixo risco (uso de preservativo sexual, não compartilhamento de seringas e EPIs adequados).
- Para os indivíduos de alto risco não vacinados, pesquisar o HBsAg, seguido de imunoensaios para determinação de anti-HBs e anti-HBc, IgM e total.
- A partir dos resultados da sorologia, definir os candidatos à vacinação, tratamento para depuração viral ou aconselhamento intensivo para evitar a transmissão do vírus.
- Para os indivíduos vacinados, pesquisar os anticorpos anti-HBs e encaminhar para revacinação, se necessário.
USPFTF
- A USPSTF recomenda rastrear adolescentes e adultos, assintomáticos, vacinados ou não, que estejam em situação de alto risco de contágio pelo VHB. Baseado nessa recomendação, o primeiro passo seria estimar o risco, subjetivamente, segundo os itens da Tabela 1. Pessoas que não se enquadram em nenhuma das condições citadas são consideradas de baixo risco e podem ser dispensadas do rastreamento.
Estudo Sorológico
- O estudo sorológico para fazer essa diferenciação do tempo de evolução e estágio da infecção é feito pela pesquisa de alguns outros antígenos e anticorpos do VHB, a saber:
- anticorpos anti-antígeno de superfície – HBs (anti-HBs) e anticorpos anti-antígeno do núcleo ou core do VHB (Anti-HBc), IgM ou total e, ainda, o HBeAg e o anti-HBe.
- As situações possíveis, de maneira geral, são:
- A. Infecção aguda (< 6 meses): HBsAg positivo, anti-HBs negativo, anti-HBc IgM e total positivos.
- Esse perfil sorológico indica que a pessoa teve um contato recente com o vírus nativo, é um transmissor potencial, mas ainda pode evoluir tanto para a cura espontânea, evidenciada com a “viragem” do anti-HBs no futuro próximo, quanto para a cronificação da infecção.
- B. Infecção crônica (> 6 meses): HBsAg positivo, anti-HBs negativo, IgM anti-HBc negativo e anti-HBc total positivo.
- Trata-se do portador de infecção crônica de VHB, aquele que não desencadeou a “viragem” de anti-HBs e que, além de ser transmissor do vírus, corre o risco de evolução da hepatite crônica para cirrose ou CHC.
- Necessita de acompanhamento clínico com outros testes laboratoriais, eventual tratamento da hepatite e aconselhamento preventivo intensivo para evitar a transmissão do vírus. Pessoas assintomáticas, não vacinadas, que testam negativo para HBsAg, são virtualmente sadias, mas possivelmente suscetíveis ao contágio, uma vez que apresentem alto nível de exposição ao vírus (um pré-requisito do rastreamento).
- Do mesmo modo de quem testa HBsAg positivo, esses indivíduos necessitam de complementação laboratorial para definir se a infecção está em andamento, se estão curados ou, o mais importante, se precisam ser vacinados.
- São os seguintes grupos:
- A. Suscetível: é a pessoa HBsAg negativo, anti-HBc IgM e total negativo e anti-HBs negativo, ou seja, não apresenta qualquer vestígio imunológico de contato com o vírus. É grande candidata à vacina contra a hepatite B.
- B. Caso intermediário: quando o HBsAg e o anti-HBs são negativos, porém o anti-HBc total é positivo. Existe a possibilidade de que a doença aguda já tenha se resolvido, apesar do anti-HBs não ser detectado (baixo título ou perda da resposta), ou que este ainda esteja em fase de “viragem”.
- Outras situações raras são o anti-HBc falso-positivo ou infecção crônica com HBsAg não detectado.
- Imune: é a situação na qual o HBsAg é negativo e tanto o anti-HBc total quanto o antiHBs são positivos, indicando que o organismo reagiu e eliminou naturalmente a carga viral. Os indivíduos nessas condições foram imunizados naturalmente e não são transmissores. As Figuras 1 e 2 ilustram, esquematicamente, a evolução dos marcadores sorológicos das infecções aguda e crônica pelo VHB.


- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- USPFTF
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
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- A infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) afeta 71 milhões de pessoas globalmente e é uma das causas de hepatite crônica, cirrose e câncer hepatocelular (CHC).
- O longo período entre a infecção inicial e as manifestações de lesão hepática permite o diagnóstico pré-clínico e torna possível a supressão da carga viral.
- O esclarecimento prévio sobre o rastreamento e suas possíveis repercussões ao(à) paciente propicia uma decisão compartilhada mais segura e ajuda a prevenir problemas futuros.
- Testes laboratoriais, do tipo ELISA, e testes rápidos ambulatoriais apresentam alta sensibilidade e especificidade no rastreamento da infecção pelo VHC.
- Os antivirais de ação direta são considerados o tratamento-padrão atualmente e induzem resposta virológica sustentada (RVS) em mais de 95% dos indivíduos tratados.
Fatores de Risco

Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear a infecção pelo VHC em adultos assintomáticos entre 18 e 75 anos.
- Identificar, inicialmente, as pessoas de maior risco, conforme Tabela 1. Para pessoas de menor risco, a decisão de rastrear ou não deve ser tomada caso a caso e compartilhada com o(a) paciente. Identificar a presença de anticorpos anti-VHC, usando TR-ICF como método inicial de rastreamento.
- Se positivo, confirmar por ELISA (opcional) e determinar a carga viral por PCR RNA-VHC.
- Encaminhar as pessoas que rastrearem VHC-positivo para especialista a fim de complementar o diagnóstico e avaliar tratamento.
- Em caso de rastreamento negativo (TR-ICF negativo) ou não confirmado (TR-ICF positivo, ELISA e PCR RNA-VHC negativos) de pessoas em situação de alto risco, repetir o rastreio a uma periodicidade definida, em conjunto, por médico(a) e paciente.
Demais recomendações
- O CDC recomenda rastrear adultos pelo menos uma vez na vida, exceto se vivem em condições de prevalência da infecção ≤ 0,1%.
- O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda rastrear gestantes com fatores de risco.
- A American Association for the Study of Liver Diseases e a Infectious Diseases Society of America recomendam oferecer um rastreio na vida a adultos e também a menores de 18 anos com alto risco de exposição ao VHC, além de testagem periódica de pessoas de alto risco e repetições anuais para imunodeficientes e HSH.
- A USPSTF recomenda o rastreamento de homens e mulheres, assintomáticos, entre 18 e 79 anos de idade, independente do risco de exposição. Isso contrasta com a recomendação dessa entidade para o rastreamento para infecção por VHB e também com a recomendação da CTFPHC sobre o assunto (a CTFPHC recomenda contra o rastreamento de pessoas em baixo risco, ou seja, que não se incluem em nenhum dos itens da Tabela 1).
- O rastreamento pode ser iniciado usando-se teste rápido por imunocromatografia de fluxo (TR-ICF).
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- As infecções causadas por Chlamydia trachomatis (CT) e Neisseria gonorrhoeae (NG) estão entre as infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais notificadas no mundo.
- Se não forem tratadas, podem cursar com complicações como: doença inflamatória pélvica, gravidez ectópica, infertilidade, ruptura prematura de membrana, retardo de crescimento intrauterino.
- As infecções crônicas por CT e NG são apropriadas ao check-up da população geral feminina por conta da prevalência significativa em jovens assintomáticas e pela alta morbidade potencial.
- O diagnóstico laboratorial da infecção causada por CT e NG pode ser feito por método de biologia molecular em urina e a periodicidade deve levar em conta a prática sexual da paciente e a persistência da exposição aos fatores de risco.
- O esquema de tratamento empírico envolve cobertura simultânea para CT e NG e pode ser realizado com ceftriaxone e azitromicina, ambas administradas em dose única, com excelente resposta.
Fatores de Risco

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear CT e NG em todas as mulheres assintomáticas de 18 a 30 anos de idade;
- Acima dos 30 anos, só justifica rastrear mulheres com exposição persistente a fatores de risco (Tabela 1).
- Informar e esclarecer sobre a necessidade e as peculiaridades desse rastreamento.
- Utilizar o NAAT na urina como método de análise laboratorial e material biológico de escolha para o rastreamento; material de região endocervical, uretral, orofaríngea ou anal pode ser coletado com cotonete, em situações específicas.
- Levar em conta a persistência da exposição aos fatores de risco para definir a periodicidade das repetições do rastreio.
- Não rastrear homens assintomáticos da população geral.
Demais recomendações
- A USPSTF recomenda rastreamento anual de CT e NG em mulheres sexualmente ativas menores de 25 anos de idade ou ≥ 25 anos expostas a risco.
- O CDC recomenda rastreamento anual de CT em mulheres sexualmente ativas menores de 25 anos de idade ou ≥ 25 anos expostas a risco; e de NG apenas em mulheres expostas a fatores de risco. O CDC recomenda considerar o rastreamento de CT em homens jovens, sexualmente ativos, em condições de alta prevalência da doença. Recomenda, também, rastreamento anual de CT e NG em homens em situação de risco elevado, que fazem sexo com homens (HSH); de pessoas com menos de 35 anos de idade que vivem em instituição de detenção, masculina ou feminina; e em gestantes.
- O American College of Obstetricians and Gynecologists e a American Academy of Family Physicians adotam também a idade até 25 anos para indicar o rastreio de CT e NG em mulheres sexualmente ativas, ou em mais velhas que sejam expostas a fatores de risco.
- A American Academy of Pediatrics recomenda rastreamento retal e uretral anual de CT em jovens HSH ≤ 25 anos, com histórico de relação anal, receptiva ou insertiva, ou de orofaringe, em caso de sexo oral; em pessoas de alto risco, o rastreamento deve ser repetido a cada 3 ou 6 meses. Recomenda, também, rastrear jovens que tenham se exposto a CT ou NG nos últimos 60 dias por conta de alguma parceria sexual de risco. A mesma entidade ainda recomenda considerar o rastreamento de CT e NG em jovens de alto risco (múltiplas parcerias sexuais) que vivem encarcerados ou participam de agrupamentos juvenis específicos (como clínicas, oficinas de estudo ou trabalho, acampamentos etc.) ou se expõem a outros fatores de risco em nível comunitário ou populacional.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- A OMS estima em 2,4 bilhões o número de obesos no mundo e os gastos anuais com doenças e perda de produtividade, causadas ou agravadas pela obesidade, em aproximadamente US$ 2 trilhões (cerca de 2 a 8% do PIB anual mundial).
- Métodos de alta tecnologia, em que pesem a sua disponibilidade e alta acurácia, não são adequados para rastreamento de sobrepeso e obesidade; para isso, medidas simples de peso, altura e circunferência abdominal são mais efetivas.
- Intervenções comportamentais (estímulo à atividade física e alimentação saudável), que resultem em perda ponderal de 5% a 10% do peso inicial, são medidas capazes de reduzir a morbidade associada ao sobrepeso e à obesidade.
- As opções de intervenção e tratamento para sobrepeso e obesidade incluem: aconselhamento comportamental, individual ou coletivo, tratamento clínico, ambulatorial ou em clínica especializada, e cirurgia bariátrica (ou metabólica).
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear sobrepeso e obesidade em adultos, entre 18 e 75 anos de idade, da população geral.
- Calcular o índice de massa corpórea (IMC) e medir a circunferência abdominal (CA) como métodos de rastreamento de escolha.
- Oferecer informações sobre os riscos do acúmulo de gordura corporal e aconselhamento de estímulo à atividade física regular e alimentação saudável para todos que forem rastreados nas faixas de sobrepeso ou obesidade.
- Aconselhar indivíduos com IMC > 40 kg/m2, ou entre 35 e 39,9 kg/m2 com comorbidades associadas à obesidade, a iniciar tratamento adequado para perder peso e, se necessário, encaminhá-los a especialistas.
Ministério da Saúde
- Recomenda-se o rastreamento de todos os pacientes adultos e crianças maiores de seis anos para obesidade e a oferta de intervenções de aconselhamento e de mudança de comportamento para sustentar a perda de peso. Grau de recomendação B.
Demais recomendações
- A American Association of Clinical Endocrinologists, o American College of Endocrinology e o National Institute for Health and Care Excellence recomendam não medir a circunferência abdominal quando o IMC for acima de 35.
- A USPSTF recomenda rastrear a obesidade em adolescentes e encaminhá-los para intervenções comportamentais intensivas a fim de melhorar o peso


- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
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Sobre
- A depressão é uma das principais causas de incapacidade mundialmente e forte contribuinte ou agravante da carga global de doenças. A depressão afeta mais mulheres do que homens e é importante causa de suicídio. Entretanto, apenas entre 10% e 15% dos deprimidos recebem tratamento adequado.
- Os questionários para rastrear depressão têm boa acurácia e aplicação simples e rápida. Duas perguntas, sobre humor e falta de prazer, já são uma boa abordagem preliminar.
- Estímulo a atividades físicas, grupos de ajuda, atividades de lazer e relaxamento, além de uma organização de trabalho saudável, podem ajudar a prevenir a depressão.
- Vários medicamentos antidepressivos (p. ex., tricíclicos, inibidores de recaptação de serotonina e duais – serotonina e noradrenalina) e intervenções psicoterapêuticas são considerados efetivos no tratamento da depressão.
Fatores de Risco

Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear a depressão em adultos entre 18 e 75 anos da população geral, que não se queixem, explicitamente, de sintomas depressivos.
- Informar o(a) paciente das características do rastreamento e das suas possíveis repercussões, antes de decidir pela sua realização. Ter certeza de que todas as possibilidades terapêuticas da depressão estejam disponíveis e acessíveis, para o caso de o rastreamento ser positivo.
- Iniciar o rastreamento pelas 2 primeiras perguntas do PHQ-9. Se a soma dos escores for maior do que 2, aplicar as outras 7 perguntas do PHQ-9.
- Confirmar o diagnóstico por meio de avaliação clínica e oferecer tratamento adequado ao grau de gravidade, fornecido por profissional da saúde treinado e, se necessário, por especialista.
Demais recomendações
- A American Academy of Pediatrics recomenda rastrear a depressão em mães após 1, 2 e 4 meses do nascimento do bebê.
- A CTFPHC não recomenda rastrear rotineiramente a depressão em adultos da população geral.
- A Community Preventive Services Task Force recomenda um cuidado colaborativo (multidisciplinar) que incremente a rotina de rastreamento, diagnóstico e gerenciamento da depressão.
Como rastrear?


- Se a soma dos escores for ≤ 13, há indícios de possível distúrbio depressivo e serve de indicativo para aprofundamento da busca do diagnóstico.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- O consumo de bebida alcoólica pode causar sensação de bem-estar e relaxamento, mas o seu uso exagerado acarreta prejuízos coletivos e individuais graves à saúde.
- Segundo a OMS, 5% de todas as doenças são causadas pelo álcool e mais de 3 milhões de pessoas morrem todos os anos em decorrência do seu uso nocivo ou abusivo.
- O rastreamento do consumo excessivo de álcool é uma estratégia para reduzir a incidência de doenças, acidentes, violência e outros problemas psicossociais.
- Os instrumentos de rastreamento permitem classificar o consumo alcoólico de acordo com o seu nível de gravidade e risco para a saúde das pessoas.
- Intervenções preventivas de aconselhamento, tratamento psicoterápico e medicamentoso devem estar disponíveis na atenção primária ou em serviços especializados.
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o consumo excessivo de bebida alcoólica em homens e mulheres entre 18 e 75 anos que não apresentam queixas relacionadas ao álcool.
- Aplicar o AUDIT-C (3 perguntas) ou M-SASQ (1 pergunta) após o esclarecimento preliminar sobre o objetivo do rastreamento. Se soma dos escores do AUDIT-C ≥ 5 ou M-SASQ ≥ 2, aplicar o AUDIT completo.
- Adotar intervenções progressivas, de acordo com a soma dos escores do AUDIT completo (Quadro 2).
- Antecipar a certeza da disponibilidade de intervenção preventiva e tratamento adequado para todos que deles necessitarem, antes de efetuar o rastreamento.
Ministério da Saúde
- Recomenda-se o rastreamento e intervenções de aconselhamento na atenção primária para reduzir o uso inadequado de álcool em adultos, incluindo mulheres grávidas. Grau de recomendação B
Demais recomendações
- O US Department of Veterans Affairs recomenda rastreio anual com AUDIT-C e SASQ.
- O American College of Obstetricians and Gynecologists e a World Health Organization recomendam rastrear o consumo de álcool em mulheres antes e no primeiro trimestre de gestação, e oferecer aconselhamento breve para aquelas que consomem álcool.


Como rastrear?

- Se a soma dos escores do AUDIT-C for ≥ 5, a primeira fase do rastreamento é considerada positiva e o AUDIT completo deve ser aplicado. Conforme a soma dos escores do instrumento completo, será possível classificar com mais clareza o nível de gravidade da situação.
- A SENAD propõe a seguinte classificação:
- ZONA I (soma de escores 0 a 7): pessoas que se localizam na zona I geralmente fazem uso de baixo risco de álcool ou são abstêmias. De uma forma geral, são pessoas que bebem menos de duas doses-padrão por dia ou que não ultrapassam a quantidade de cinco doses-padrão em uma única ocasião. A intervenção adequada nesse nível é a educação em saúde, para que haja a manutenção do padrão de uso atual.
- ZONA II (soma de escores 8 a 15): pessoas que pontuam nessa zona são consideradas usuários de risco; são pessoas que fazem uso acima de duas doses-padrão todos os dias ou mais de cinco doses-padrão em uma única ocasião, porém não apresentam nenhum problema decorrente disso. A intervenção adequada nesse nível é a Orientação Básica sobre o uso de baixo risco e sobre os possíveis riscos orgânicos, psicológicos ou sociais que o usuário pode apresentar se mantiver esse padrão de uso.
- ZONA III (soma de escores 16 a 19): nessa zona de risco estão os usuários com padrão de uso nocivo; ou seja, pessoas que consomem álcool em quantidade e frequência acima dos padrões de baixo risco e já apresentam problemas decorrentes do uso de álcool. Por outro lado, essas pessoas não apresentam a quantidade de sintomas necessária para o diagnóstico de dependência. A intervenção adequada nesse nível é a utilização da técnica de Intervenção Breve e Monitoramento.
- ZONA IV (soma de escores 20 a 40): pessoas que se encontram nesse nível apresentam grande chance de ter um diagnóstico de dependência. Nesse caso, é preciso fazer uma avaliação mais cuidadosa e, se confirmado o diagnóstico, deve-se motivar o usuário a procurar atendimento especializado para acompanhamento e encaminhá-lo ao serviço adequado.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- Estima-se em mais de 35 milhões o número de pessoas, no mundo, com algum distúrbio de saúde relacionado ao consumo de drogas psicoativas, lícitas e ilícitas.
- A síndrome de abstinência é tão mais grave quanto maior é o consumo e mais potente é a droga. Além das várias consequências à saúde individual dos consumidores, a criminalidade e a violência que envolvem a produção, o tráfico e a comercialização de drogas podem ampliar o sofrimento e induzir mortes prematuras e evitáveis nas comunidades.
- Na rede de atenção primária à saúde, em consultórios e ambulatórios, a identificação dos consumidores habituais ou dependentes de substâncias psicoativas pode ser feita por meio de questionários acurados e validados.
- Rastrear o uso de substâncias psicoativas é um processo complexo, que envolve aspectos médico-legais, valores morais e preferências pessoais. Estigmatização, rotulagem e outros riscos ressaltam a necessidade de decisão compartilhada sobre o rastreamento. Todos os dispositivos estruturais de apoio médico, psicossocial e legal devem estar disponíveis e acessíveis ao paciente rastreado. Assim, ele poderá receber todo tipo de intervenção ou tratamento, visando, no mínimo, a redução de danos e não a punição.
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o consumo de drogas lícitas e ilícitas e de medicamentos off-label ou sem prescrição médica em todos os adultos da população geral, entre 18 e 75 anos de idade.
- Compartilhar a decisão sobre o rastreamento entre profissional da saúde e paciente.
- Aplicar o ASSIST, por meio do formulário manual validado para o Brasil ou alguma variante digital (p. ex., NIDA-modified ASSIST).
- Ter disponível e acessível, previamente, toda a estrutura de apoio médico, psicossocial e legal ao paciente que deles necessitar.
Demais recomendações
- A American Academy of Family Physicians e o US Departments of Defense and Veterans Affairs indicam que a evidência é insuficiente para recomendar rastreamento de uso de drogas ilícitas.
- A American Academy of Pediatrics recomenda rastrear adolescentes que: se apresentam em unidades de urgência ou emergência; referem tabagismo; têm depressão, ansiedade ou outro problema de saúde mental associado com abuso de substância; ou que venham tendo mudanças no desempenho escolar, social ou comportamental.
- O American College of Obstetricians and Gynecologists aconselha o rastreamento anual de mulheres para uso não médico de drogas de prescrição.
- Nesse sentido, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2002, apresentou o ASSIST (Alcohol, Smoking and Substance Involvement Screening Test), resultado do trabalho conjunto de pesquisadores de vários países. Trata-se de uma ferramenta para rastrear diversos tipos diferentes de drogas lícitas e ilícitas, incluindo o álcool e o tabaco. Desde a sua criação, o ASSIST foi considerado bastante confiável e aplicável para esse fim. Em 2004, o ASSIST foi traduzido e validado para uso no Brasil, com sensibilidade variando de 84% a 91% e especificidade de 79% a 98%.







- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- Violência contra mulheres é um grave problema de saúde pública capaz de provocar danos físicos, psíquicos e sociais, agudos e crônicos, e culminar com o feminicídio.
- Agressões graves e feminicídio são precedidos, muitas vezes por anos, de incidentes de variável gravidade ou da busca velada por ajuda, inclusive de profissionais da saúde.
- No Brasil, a Lei Maria da Penha estabelece os critérios e ações para evitar, detectar e dar suporte às mulheres vítimas de violência, assim como para punir os agressores. As dimensões de violência contra a mulher previstas na legislação brasileira (física, psíquica, sexual, patrimonial e moral) devem ser objeto do rastreamento.
- O rastreamento só se justifica se houver a garantia de encaminhamento da vítima aos serviços especializados para apoio e salvaguarda da sua segurança.
Fatores de Risco

Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear violência doméstica em mulheres entre 18 e 50 anos de idade, que não se queixam espontaneamente do problema.
- Sondar, inicialmente, a presença de fatores de risco (Tabela 1).
- Informar a paciente da finalidade e dos desdobramentos possíveis do rastreamento e decidir, em conjunto, sobre a sua execução.
- Em caso afirmativo, aplicar o questionário HARK de 4 perguntas.
- Desencadear todo o apoio médico, psicossocial, policial e legal necessário à paciente cujo rastreamento foi positivo.
- Repetir o rastreio periodicamente em caso de persistência dos fatores de risco e suspeita de falso-negativo.
Demais indicações
- O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda o rastreamento de violência por parceiro íntimo em todas as gestantes e, se positivo, encaminhamento para serviços de suporte.
- O American Medical Association Code of Medical Ethics estabelece que todos os clínicos deveriam arguir, rotineiramente, sobre abuso físico, sexual e psicológico de mulheres.
- A CTFPHC e a OMS indicam que a evidência científica disponível, no momento, não justifica o rastreamento universal de violência por parceiro íntimo.
Como rastrear?
- HARK (acrônimo dos termos em inglês Humiliation – Afraid – Rape – Kick)

- Diante de qualquer tipo de violência que possa ser rastreada, a abordagem profissional prevê:

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- No mundo, estima-se que mais de 200 milhões de pessoas apresentam fragilidade óssea por osteoporose, afetando 1 a cada 3 mulheres e 1 a cada 8 homens. As fraturas por osteoporose incorrem em perda de qualidade de vida e grave prejuízo psicossocial, além de complicações físicas, sequelas e morte prematura.
- O rastreamento da osteoporose, no Brasil, usando recomendações internacionais, resulta em sobretestagem, sobrediagnóstico e sobretratamento, que podem ser evitados. Atualmente, dispõe-se de calculadoras do risco de fraturas por osteoporose, baseadas em fatores demográficos e clínicos, com boa acurácia para uso no rastreamento. Existem diversas opções de abordagem preventiva e tratamento medicamentoso capazes de reduzir o risco de fraturas por osteoporose na idade avançada.
Fatores de Risco

Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o risco de fraturas por osteoporose em mulheres entre 50 e 75 anos de idade, assintomáticas, da população geral.
- Aplicar o FRAX® Brasil (https://www.sheffield.ac.uk/FRAX/tool.aspx?country=55) sem os valores de DMO, anualmente.
- Solicitar DEXA apenas se o risco de fratura maior (RFM10) calculado estiver contido no intervalo em torno do limiar de intervenção (área hachurada da Figura 1). Recalcular RFM10 por meio do FRAX® Brasil com a inclusão dos valores de DMO obtidos na DEXA, sempre que o exame complementar tenha sido solicitado. Programar reaplicação de FRAX® ou tratamento, conforme o cálculo do RFM10.

Demais recomendações
- A National Osteoporosis Foundation estadunidense e a International Society for Clinical Densitometry recomendam densitometria óssea para mulheres com 65 anos de idade ou mais e para homens com 70 anos ou mais. Recomendam, também, medir a DMO de mulheres < 65 anos e homens de 50 a 69 anos, baseado em seus perfis de risco.
- Como parte do Choosing Wisely, a American Academy of Family Physician recomenda contra a DEXA para mulheres mais jovens de 65 anos e homens com menos de 70 anos sem fatores de risco.
- O American College of Obstetricians and Gynecologists recomenda medir a DMO com DEXA a partir dos 65 anos de idade em todas as mulheres e, seletivamente, para aquelas com idade < 65 anos e com fatores de risco ou histórico de fratura na idade adulta.
- A Endocrine Society recomenda o rastreamento de todos os homens acima de 70 anos e naqueles com 50 a 69 anos e risco significante de fratura ou passado de fratura após os 50 anos de idade.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- USPFTF
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Sobre
- Breast cancer genes (BRCA1 e BRCA2) são genes supressores tumorais envolvidos no reparo do DNA; cerca de 5% a 10% dos cânceres de mama e até 15% dos cânceres de ovário podem estar relacionados a mutações desses genes. Essas mutações são transmitidas de maneira autossômica com alta penetrância em famílias de portadores das mutações, mais frequentemente em descendentes de judeus Ashkenazi.
- O rastreamento, na atenção primária à saúde, é possível a partir de questionário que identifique mulheres com antecedentes familiares de alto risco para as mutações. Em função de implicações psicossociais complexas, que envolvem o risco de câncer, o aconselhamento genético com especialista é sempre recomendável.
- Rastreamento intensivo, medicação profilática ou cirurgia são possibilidades de abordagem das mulheres portadoras de mutações de BRCA1 e/ou BRCA2.
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear, por meio de questionários sensíveis e validados, o risco de mutações de BRCA1 e BRCA2 em mulheres entre 18 e 75 anos de idade, assintomáticas e sem histórico pessoal de câncer ginecológico.
- Inquirir, preliminar e genericamente, sobre antecedentes de cânceres na família ou ascendência judaica.
- Completar o rastreamento das pessoas consideradas de risco na avaliação preliminar com as perguntas do questionário da Tabela 1. Em caso de uma ou mais respostas “sim”, o rastreio é considerado positivo.
- Encaminhar a paciente rastreada positivamente para aconselhamento genético em serviço especializado no assunto.
- As condutas subsequentes (p. ex., detecção laboratorial das mutações, mastectomia ou salpingo-ooforectomia profiláticas) dependem de decisão bem informada e compartilhada entre paciente, geneticista clínico(a) e médico(a) assistente.
Demais recomendações
- O National Institute for Health and Care Excellence e a European Society for Medical Oncology recomendam que os profissionais de saúde respondam às dúvidas e preocupações das pacientes sobre o assunto, mas não os incentivam a sempre rastrear ativamente o histórico familiar de câncer de mama, apenas eventualmente.
- O rastreamento e/ou aconselhamento genético de pessoas com antecedente pessoal de câncer sugestivo de estar associado a herança genética são defendidos, também, pelas entidades: American College of Medical Genetics, American Society of Clinical Oncology, Society for Gynecologic Oncology.
- A American Society of Breast Surgeons recomenda a disponibilidade de teste genético para todas as mulheres com histórico de câncer de mama.
- A USPSTF recomenda abordar mulheres com história pessoal e familiar para câncer de mama, ovário, trompas e peritônio, ou que tenham ancestralidade associada a mutações (BRCA1 e BRCA2), com algum questionário estruturado capaz de indicar, pelo menos, risco aumentado de mutação.
- No Brasil, em nível de atenção primária à saúde, o rastreamento genético para detecção de pessoas com maior chance de serem portadoras de mutações nocivas em BRCA1 e/ou BRCA2 não é uma prática comum. Alguns especialistas de ginecologia e oncologia clínica têm mais prática em lidar com o assunto, mesmo assim de forma não necessariamente sistemática ou frequente, e apenas em nível de atenção secundária ou terciária do sistema de saúde.
Como rastrear?
- Existem vários instrumentos de estimativas de risco de mutações de BRCA1 e BRCA2 descritos na literatura médica: Ontario Family History Assessment Tool, Manchester Scoring System, Referral Screening Tool, Pedigree Assessment Tool, 7-Question Family History Screening Tool, International Breast Cancer Intervention Study instrument (Tyrer-Cuzick) e outros.
- Todos eles validados e com boa acurácia para uso em rastreamento do risco de a mulher ser portadora das mutações.
- E todos com vantagens e limitações. Uma delas é a falta de experiência em mulheres brasileiras. De modo geral, os questionários abordam fatores associados à maior probabilidade de mutações de BRCA1 e BRCA2 potencialmente danosas à saúde. A Tabela 1 apresenta um questionário de respostas binárias (SIM ou NÃO), que unifica as perguntas sobre fatores de risco abordados nos vários questionários internacionais citados. Qualquer resposta SIM caracteriza o rastreamento como positivo.

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
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Sobre
- O câncer de colo uterino ainda é bastante incidente e prevalente, principalmente em países em desenvolvimento, sendo a quarta causa de mortes femininas por câncer.
- O vírus do papiloma humano (HPV) é o principal agente envolvido na gênese desse câncer, e a evolução para malignidade é lenta e progressiva ao longo de vários anos.
- A implementação em larga escala do teste de Papanicolaou mudou a história natural do câncer de colo de útero, com drástica redução da morbimortalidade feminina.
- Técnicas de biologia molecular para detecção do HPV podem auxiliar no rastreamento ou na confirmação diagnóstica de casos rastreados pelo teste de Papanicolaou. Além de ser prevenido por meio da vacina contra o HPV, que é segura e eficaz, mas de cobertura ainda insuficiente, a taxa de cura do câncer de colo uterino é de até 95%.
Fatores de Risco e Fatores Protetores


Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o câncer de colo de útero em todas as mulheres da população geral, de 25 a 64 anos de idade, assintomáticas, com histórico de contato sexual em qualquer momento da vida e que tenham colo uterino.
- Utilizar o teste de Papanicolaou, repetido a cada 3 anos, como método de rastreamento preferencial.
- Para mulheres acima de 30 anos, avaliar a combinação do teste de Papanicolaou com a detecção de subtipos oncogênicos do HPV por biologia molecular, a cada 5 anos.
- Para mulheres com 65 anos ou mais, interromper o rastreamento após 2 testes negativos repetidos nos últimos 5 anos.
Ministério da Saúde
- Ministério da Saúde recomenda coletas anuais, por 2 anos, a partir dos 25 anos e, após, a cada 3 anos até os 64 anos.
- Inclusive mulheres que têm relação com outras mulheres e homens trans
- Recomenda-se contra o rastreamento de rotina de câncer do colo do útero em mulheres maiores de 65 anos que tiveram um rastreamento com Papanicolau normal e que não fazem parte de grupo de alto risco para esse câncer. Grau de recomendação D.
- Recomenda-se contra o rastreamento de câncer do colo do útero em mulheres que realizaram histerectomia total. Grau de recomendação D.
Particularidades no Rastreio
Gestantes
- Ainda que não haja evidência contraindicando a coleta de endocérvice na gestação, sugere-se que a mesma não seja realizada uma vez que ocorrências indesejáveis durante a gestação, como sangramentos espontâneos ou mesmo abortamento, podem ser relacionados pela gestante à coleta realizada. Assim, realizar coleta apenas da ectocérvice e inspeção visual do colo uterino, estando atento para alterações anatômicas.
Climatério e Menopausa
- Na eventualidade de o laudo do exame citopatológico mencionar dificuldade diagnóstica decorrente de atrofia epitelial; ou a mulher apresentar vaginite/colpite atrófica que dificuldade a coleta (sem queixas), realizar estrogenização pela administração de Estriol 0,1% creme vaginal de preferência à noite, durante 21 dias, com pausa de 5 a 7 dias para realização da coleta;
- Atenção: Embora a absorção sistêmica do estrogênio tópico seja mínima, não prescreva para mulheres com história de carcinoma de mama ou demais tumores estrogênio-dependentes
Histerectomia
- Se histerectomia subtotal (com permanência do colo do útero): seguir rotina de rastreamento;
- Se histerectomia total: não se faz mais rastreamento, pois a possibilidade de encontrar lesão é desprezível;
- Exceção: se a histerectomia foi realizada como tratamento de câncer de colo do útero ou lesão precursora (ou foram diagnosticados na peça cirúrgica), seguir o protocolo de controle de acordo com o caso, realizando a coleta na porção final da vagina:
- Lesão precursora – controles cito/colposcópicos semestrais até dois exames consecutivos normais;
- Câncer invasor – controle por cinco anos (trimestral nos primeiros dois anos e semestral nos três anos seguintes); se controle normal, citologia de rastreio anual.
HIV positivo, imunossuprimidas ou uso crônico de corticoide
- Inicia rastreio após o início da atividade sexual (não há idade mínima), com intervalos semestrais no primeiro ano e, se normais, manter seguimento anual enquanto se mantiver o fator de imunossupressão, inclusive depois dos 64 anos (não há idade máxima);
- Se HIV positivo
- E CD4 > 200 manter rastreio anual
- E CD4 < 200 manter rastreio semestral
Seguimento se Resultado Normal
- Se HIV negativo e entre 25 a 64 anos:
- repita a cada 3 anos, ou anualmente se for o primeiro rastreio da vida
- Se HIV negativo e maior de 64 anos:
- se primeiro rastreio da vida, repita em 3 anos
- se mais de 2 rastreios negativos nos últimos 5 anos e sem história de ca de colo: encerre rastreio.
- Se HIV positivo:
- Se CD4 > 200 , qualquer idade: repita anualmente ou em 6 meses se primeiro rastreio
- Se CD4 < 200, qualquer idade: repita a cada 6 meses enquanto CD4 se mantiver abaixo de 200.
Como Coletar o Preventivo?

- ➢ Realizar inspeção dos órgãos genitais externos (observar: integridade do clitóris, meato uretral, grandes e pequenos lábios vaginais, presença de lesões anais e genitais), anotando qualquer alteração como lesões esbranquiçadas ou hipercrômicas, nódulos, verrugas e/ou feridas, lesões, pólipos, leucorréias;
- ➢ Escolher o espéculo adequado; Colocar o espéculo, que deve ter o tamanho escolhido de acordo com as características perineais e vaginais da mulher a ser examinada (Não deve ser usado lubrificante ou solução oleosa, em casos específicos como em mulheres com vaginas extremamente atróficas, recomendase molhar o espéculo com solução fisiológica a 0,9%);
- ➢ Introduzir o espéculo suavemente, em posição vertical e ligeiramente inclinado (15º), fazendo uma rotação de 90º de modo que a fenda do espéculo fique na posição horizontal;
- ➢ Abrir o espéculo lentamente e com delicadeza e observar as características das paredes vaginais e do conteúdo; caso a visualização do colo não seja possível solicitar que a paciente tussa ou faça pequena força com o períneo.
- ➢ Realizar limpeza de secreção EXCEDENTE, que possa estar presente no colo uterino, utilizando uma gaze fixada em pinça cheron seque delicadamente SEM ESFREGAR para não perder a qualidade do material a ser colhido;
- ➢ Realizar coleta da ectocervice com a espátula de Ayres (do lado que apresenta reentrância), encaixando a ponta mais longa da espátula no orifício externo do colo, apoiando-a firmemente, fazendo uma raspagem da mucosa ectocervical em movimento rotativo de 360º em torno de todo orifício cervical, para que toda superfície do colo seja raspada, sem agredir o colo e prejudicar a qualidade da amostra;
- ➢ Estender o material ectocervical na lâmina, dispondo-o no sentido horizontal, ocupando 2/3 iniciais da parte transparente da lâmina, com movimento de ida e volta, esfregando a espátula com suave pressão, garantindo uma amostra uniforme, fina e homogênea sem sobreposição de material;
- ➢ Realizar coleta da endocervice utilizando a escova endocervical, introduzindo-a delicadamente no canal, realizando movimento circular em 360º percorrendo todo o contorno do orifício cervical;
- ➢ Estender o material endocervical no 1/3 restante da lâmina, rolando a escova de cima para baixo em sentido único (longitudinal), de maneira delicada para a obtenção de um esfregaço uniforme, fino e sem destruição celular;
- ➢ Fixar o esfregaço imediatamente após a coleta, garantindo a manutenção das características originais das células, preservando-as do dessecamento do material (fixação inadequada), que impossibilita a leitura do exame;
- ➢ Borrifar a lâmina com o fixador spray ou aerossol (PROPINILGLICO) imediatamente após a coleta, posicionando a lâmina horizontalmente a uma distância de 20cm, cobrindo totalmente o esfregaço;
- ➢ Fechar o espéculo não totalmente, evitando beliscar a mulher e retirar delicadamente, inclinando 15º levemente para cima e observando as paredes vaginais;
Achados Normais no Colo Uterino

Achados Anormais no Colo Uterino

Avalie adequabilidade da amostra
- Se amostra insatisfatória: repita em 3 meses
- Se amostra satisfatória, somente células escamosas: repita anualmente até 2 exames consecutivos normais e então volte para rotina de rastreio.
- Se amostra satisfatória com céls escamosas e glandulares: rotina conforme resultado
Vacinação para o HPV
- Para mulheres entre 09 anos e 14 anos 11 meses e 29 dias
- 02 doses com intervalo mínimo de 06 meses entre as mesmas.
- Se maior de 15 anos pode ser feita em qualquer momento da vida.
- A vacina contra o HPV também está disponível para as mulheres e homens de 09 a 26 anos de idade vivendo com HIV/AIDS, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea e pacientes oncológicos, sendo o esquema vacinal de três doses (0, 2 e 6 meses).
Seguimento Resultado Alterado
ASCUS (Célula escamosa com atipias de significado indeterminado)
- ASCUS (Atypical Squamous Cells of Undetermined Significance) é a alteração mais comumente encontrada. Células escamosas atípicas estão presentes, porém não se pode afirmar que há sinais de pré-malignidade ou malignidade nas mesmas. Pode estar associado a infecções, inflamações ou à atrofia vaginal da menopausa.
LSIL (Lesão escamosa intraepitelial de baixo grau)
- LSIL (Low-grade Squamous Intraepithelial Lesion): indica uma displasia branda, uma lesão pré-maligna com baixo risco de ser câncer. A LSIL pode desaparecer após 1 ou 2 anos ou equivaler a NIC 1 no histopatológico. Mais raramente, pode representar NIC 2 ou NIC 3. O risco de ser câncer é de cerca de 0,1%.
Conduta:
- Repetição da citologia 2 vezes:
- Se maiores de 30 anos: repetir em 06 meses
- Se menores de 30 anos: repetir em 12 meses
- Se ambos normais → rastreio negativo e retorne à rotina
- Se achado de lesão igual ou mais grave → encaminhar para colposcopia.
- Se gestante e HIV negativa, adie colpo para 6 semanas após o parto.
ASC-H (Células escamosas atípicas sugestivas de alto grau) ou
- ASCH (Atypical Squamous Cells – H): trata-se de uma descrição pela qual o patologista indica que células escamosas atípicas foram encontradas e que não se pode descartar a possibilidade de apresentarem alto grau de atipia.
HISL (Lesão escamosa intraepitelial de alto grau)
- HSIL (High-grade Squamous Intraepithelial Lesion): essa alteração corresponde a aberrações em tamanho e forma das células escamosas. Esse achado sugere a presença de lesões pré-cancerosas dos tipos NIC 2 ou NIC 3, ou mesmo câncer instalado (risco de 7%), ao exame histopatológico.
AGUS (Lesão glandular de significado indeterminado)
- AGUS (Atypical Glandular Cells of Undetermined Significance): presença de células glandulares atípicas do epitélio cervical, nas quais não é possível definir existência de alterações malignas.
- Solicite colposcopia
- Se gestante e colposcopia normal, repetir em 6 semanas após o parto.
- Se > 35 anos, solicite USG TV para avaliação endometrial


- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde
- USPFTF
- Diretrizes para o Rastreamento do câncer do colo do útero, Protocolo de Enfermagem Florianópolis
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
Sobre
- O câncer de mama é o primeiro em incidência e prevalência, e a segunda maior causa de mortes femininas por câncer, em todo o mundo. Neoplasias ainda restritas à mama têm melhor prognóstico, sendo a mortalidade diretamente relacionada com a ocorrência de metástases.
- A mamografia periódica é per si um método de rastreamento recomendado, ao contrário do autoexame da mama e do exame clínico por médico(a), isolados ou juntos.
- Apesar de aumentar a capacidade de detecção pré-clínica de cânceres, o rastreamento gera, também, erros de diagnóstico, sobrediagnóstico e sobretratamento.
- Avanços técnicos e redução da morbidade do tratamento colaboraram para a redução da mortalidade por câncer de mama, apesar da alta incidência persistente.
Fatores de Risco e Fatores Protetores


Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o câncer de mama em todas as mulheres de 50 a 75 anos, sem antecedente pessoal desse tumor ou BRCA1/2, assintomáticas, da população geral.
- Estimar, previamente, o risco de câncer de mama da paciente em 5 anos (RCMM5), calculado pelo Breast Cancer Risk Tool do NIH-NCI (https://bcrisktool.cancer.gov) ou com base na Tabela 1, para apoio da decisão clínica compartilhada.
- Para mulheres entre 50 e 64 anos de idade, como método de rastreamento, propor a mamografia a cada 2 ou 3 anos (conforme o risco estimado de câncer de mama da paciente) e compartilhar a decisão clínica.
- Para mulheres entre 65 e 75 anos de idade, estimar o RM10 pelo Índice de Suemoto (Eprognosis), e propor rastrear com mamografia apenas aquelas que apresentarem RM10 < 37%, a cada 2 ou 3 anos (conforme o risco estimado de câncer de mama da paciente) e compartilhar a decisão clínica.
- https://eprognosis.ucsf.edu/suemoto.php?language=Portuguese
- Para mulheres entre 40 e 49 anos, informar possíveis riscos e benefícios do rastreamento nessa idade, avaliar estimativa prévia de câncer de mama da paciente e compartilhar a decisão clínica de rastrear ou não o tumor, por meio de mamografia a cada 2 ou 3 anos.
Ministério da Saúde
- Recomenda-se o rastreamento de câncer de mama bianual por meio de mamografia para mulheres entre 50 e 74 anos. Grau de recomendação B.
- A decisão de começar o rastreamento bianual com mamografia antes dos 50 anos deve ser uma decisão individualizada, levando em consideração o contexto da paciente, os benefícios e os malefícios. Grau de recomendação C.

Resultado

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - caderno de atenção primária de rastreamento
- Esta página foi atualizada em novembro de 2024
Sobre
- O câncer de pulmão é a primeira causa de mortes por câncer no mundo. O consumo de cigarros industrializados é o principal agente etiológico associado a essa neoplasia. A prevalência de tabagismo vem diminuindo entre mulheres e homens há 2 e 4 décadas, respectivamente, o que deve impactar a mortalidade por câncer de pulmão no futuro.
- Calculadoras de risco, baseadas nos principais fatores associados ao câncer de pulmão, podem auxiliar o(a) médico e o(a) paciente na decisão sobre o rastreamento.
- De 2% a 3% dos pacientes submetidos a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) apresentam câncer de pulmão, o que possibilita aumento da sobrevida.
- A abstinência prévia ou cessação do tabagismo e o tratamento de tumores em fase inicial tendem a reduzir a incidência e a mortalidade por câncer de pulmão.
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o câncer de pulmão em homens e mulheres, assintomáticos, fumantes ou ex-fumantes, de 50 a 80 anos de idade.
- Para todos acima de 65 anos, calcular, previamente, o risco de mortalidade em 10 anos (RM10) pelo Índice de Suemoto (E-Prognosis). ‣
- Para todos de 50 a 65 anos de idade e para os maiores de 65 anos com RM10 < 50%, se homem, ou < 37%, se mulher, calcular o risco de câncer de pulmão em 5 anos (RCP5), em https://secure2.1s4h.co.uk/MYLUNGRISK/welcome.aspx, como apoio à decisão médica.
- Após informação do paciente e decisão compartilhada, utilizar a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) como método de rastreamento, anual ou em períodos maiores conforme o RCP5 calculado.
- Ao(À) médico(a) assistente, avaliar as condutas subsequentes conforme a presença de nódulos pulmonares, seu tamanho e forma, identificados pela TCBD.
Demais recomendações
- A USPSTF recomenda a triagem anual para câncer de pulmão com tomografia computadorizada de baixa dose (LDCT) em adultos com idade entre 50 e 80 anos que têm uma história de tabagismo de 20 maços-ano e atualmente fumam ou pararam de fumar nos últimos 15 anos. A triagem deve ser interrompida quando uma pessoa não fumou por 15 anos ou desenvolveu um problema de saúde que limita substancialmente a expectativa de vida ou a capacidade ou vontade de fazer uma cirurgia pulmonar curativa.
- A CTFPHC recomenda o rastreamento do câncer de pulmão entre adultos de 55 a 74 anos com história de tabagismo de pelo menos 30 maços-ano, que fumam ou pararam de fumar há menos de 15 anos, com tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) a cada ano até três vezes consecutivas. A triagem só deve ser realizada em ambientes de saúde com acesso a conhecimentos especializados em diagnóstico precoce e tratamento do câncer de pulmão.
- A American Association for Thoracic Surgery recomenda rastreamento anual com TCBD para norte-americanos de 55 a 79 anos com 30 maços-ano de consumo tabágico, ou a partir de 50 anos, com consumo de 20 maços-ano e RCP5 ≥ 5%.
- A American Cancer Society recomenda rastreamento anual com TCBD para pessoas de 55 a 74 anos em boa saúde, com 30 maços-ano de consumo de tabaco, fumantes atuais ou que tenham parado nos últimos 15 anos.
- O American College of Chest Physicians muda apenas para 77 anos a idade limite em relação à recomendação anterior.
- A National Comprehensive Cancer Network ainda acrescenta a esta última o rastreamento a partir de 50 anos, 20 maços-ano de tabagismo e pelo menos mais 1 fator de risco de câncer de pulmão.
- A American Academy of Family Physicians conclui que há evidência insuficiente a favor ou contra o rastreamento de câncer pulmonar com TCBD em pessoas de alto risco baseado em idade e histórico de tabagismo.
Como rastrear?
- A radiografia simples do tórax (com ou sem citologia de escarro associada) já foi estudada e abandonada como método de rastreamento do câncer de pulmão, porque, no momento em que o tumor se revela nesse exame, em geral, ele já se encontra em fase avançada. A sensibilidade e a especificidade desse método para o rastreamento de cânceres de evolução ainda inicial, localizada, são baixas. A radiografia simples passou a ser usada, inclusive, como método de controle em ensaios clínicos que avaliaram o valor do rastreamento por TC.
- Atualmente, o método preconizado para rastrear o câncer de pulmão é a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação (TCBD). O exame é realizado com paciente em decúbito dorsal e apneia respiratória, sem uso de contraste. A aquisição das imagens ocorre por tomógrafos rápidos com múltiplos detectores, em poucos segundos. A acurácia da TCBD varia muito em função do local onde o estudo radiológico é feito. A sensibilidade do exame pode oscilar de 59% a 100%, a especificidade de 26,4% a 99,7%, o valor preditivo positivo de 3,3 a 43,5% e o valor preditivo negativo de 97,7% a 100%.
O que fazer após o rastreamento?
- Antes que procedimentos mais invasivos sejam executados, a evolução de nódulos semissólidos ou sólidos menores que 8 mm pode ser revista anualmente, semestralmente ou, eventualmente, trimestralmente, de acordo com o seu tamanho e forma identificadas na TCBD.
- Após 3 exames sem alterações, o acompanhamento pode ser interrompido. Pacientes cujo estudo radiográfico tenha revelado nódulo(s) maior(es) que 8 mm, ou outros menores que cresceram com o tempo, devem ser encaminhados para especialistas a fim de dar prosseguimento à investigação clínica.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- USPFTF
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Sobre
- A maioria dos cânceres de cólon e reto (CCR) origina-se de pólipos intestinais benignos, cujo processo de evolução maligna é lento, permitindo o rastreio e a remoção precoce.
- O CCR atinge homens e mulheres a partir dos 45 anos de idade e é responsável por cerca de 10% dos casos novos e das mortes provocadas por câncer em todo o mundo.
- Pode-se rastrear o CCR por meio de testes fecais e estudos radiográficos ou endoscópicos, isolados ou em combinações.
- O rastreamento se restringe ao indivíduo que se apresenta em condições de suportar exames invasivos e tratamentos agressivos, após decisão compartilhada com médico(a).
- A adoção de medidas preventivas, a retirada de pólipos de alto risco e o tratamento de câncer avançado detectado por rastreamento reduzem a morbimortalidade por CCR.
Fatores de Risco e Fatores Protetores

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear em homens e mulheres entre 45 e 75 anos de idade, assintomáticos, da população geral.
- Efetuar avaliação prévia de risco, usando a calculadora do NCI-NIH (https://ccrisktool.cancer.gov/calculator.html) ou os itens da Tabela 1 (acima).
- Discutir benefícios e riscos do rastreamento e as opções de tratamento do CCR, e compartilhar a decisão clínica de rastrear ou não entre médico(a) e paciente.
- Para paciente de baixo risco de CCR, solicitar pesquisa de sangue oculto na fezes (PSOF) anual.
- Para paciente de alto risco de CCR, compartilhar a decisão entre colonoscopia a cada 10 anos ou retossigmoidoscopia a cada 10 anos + pesquisa de hemoglobina humana nas fezes (FIT-PHHF) anual.
- Para paciente com idade entre 65 e 75 anos, estimar o risco de mortalidade em 10 anos (RM10), calculado pelo Índice de Suemoto (E-prognosis): https://eprognosis.ucsf.edu/suemoto.php?language=Portuguese e propor rastrear apenas se RM10 < 50% e < 37%, respectivamente, em homens e mulheres.
- consenso de que não deve ser indicado rastreio após os 85 anos de idade.
- Rastrear antes de 45 anos apenas pacientes com relevante histórico familiar de CCR.
USPFTF
- Recomenda rastreamento
- Todos os adultos de 50 a 75 anos - Evidência A
- Todos os adultos de 45 a 49 anos - Evidência B
- Adultos entre 76 a 85 anos - Evidência C
- Considere estado geral, histórico médico e preferência do paciente
Ministério da Saúde
- Recomenda-se o rastreamento para o câncer de cólon e reto usando pesquisa de sangue oculto nas fezes, colonoscopia ou signoidoscopia, em adultos entre 50 e 75 anos. Os riscos e os benefícios variam conforme o exame de rastreamento. Grau de recomendação A.
- Recomenda-se contra o rastreamento de rotina para câncer de cólon e reto em adultos entre 76 e 85 anos. Pode haver considerações que suportem o rastreamento desse câncer individualmente. Grau de recomendação C.
- Recomenda-se contra o rastreamento de câncer de cólon e reto em pacientes de 85 ou mais. Grau de recomendação D.
Como Rastrear



- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde - Caderno de Atenção Básica - Rastreamento
- USPFTF
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Sobre
- No Brasil, as chances de um homem apresentar câncer de próstata ao longo da vida e dele vir a falecer são, respectivamente, de cerca de 11,1% e 2,4%.
- O câncer de próstata apresenta alta incidência e prevalência, porém os estudos indicam que, na grande maioria das vezes, é indolente e não provoca danos perceptíveis à saúde.
- O toque retal não apresenta sensibilidade e especificidade adequadas ao rastreamento; a dosagem do PSA no sangue é o método de escolha, caso se decida rastrear o tumor.
- Ensaios clínicos recentes mostraram resultados contraditórios a respeito do impacto do rastreamento sobre a mortalidade pelo câncer, mas parece haver uma redução do risco. Incontinência urinária, urgência miccional, disfunção erétil, incontinência fecal são complicações frequentemente associadas aos tratamentos do câncer de próstata.
- A grande controvérsia envolvendo o tema torna a decisão compartilhada, amplamente discutida, entre médico(a) e paciente, um pré-requisito obrigatório do rastreamento.
Fatores de Risco e Fatores Protetores
- A idade avançada, a afrodescendência e os antecedentes familiares do câncer de próstata entre parentes de primeiro grau são os principais fatores que aumentam o risco da neoplasia, para a maioria dos autores e pesquisadores.
- A obesidade, como fator de risco, e o licopeno do tomate, como fator protetor, são citados, mas não de maneira sistemática nos textos mais recentes norte-americanos ou europeus. Muito raramente, estão associados a mutações dos genes BRCA1 e principalmente BRCA2, e com a síndrome de Lynch.
Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Não rastrear o câncer de próstata em homens assintomáticos da população geral com idade abaixo de 55 anos ou acima de 70 anos.
- Para homens assintomáticos, entre 55 e 70 anos, que explicitam o interesse em rastrear esse câncer, apresentar-lhes todos os pontos positivos e negativos do rastreamento.
- Para aqueles com 65 anos ou mais, estimar o risco de mortalidade em 10 anos (RM10), usando o Índice de Suemoto (E-prognosis), que deve ser, preferencialmente, < 50%.
- https://eprognosis.ucsf.edu/suemoto.php?language=Portuguese
- Compartilhar a decisão final (rastrear ou não), levando em conta os dados científicos, fatores de risco, resultado do Índice de Suemoto, as preferências individuais do paciente e a sua percepção de como lidaria com o tratamento e suas eventuais consequências negativas. No caso de se decidir rastrear, solicitar o PSA total no sangue.
Ministério da Saúde
- O nível de evidência ainda é insuficiente para tecer recomendações a favor ou contra a adoção do rastreamento para o câncer de próstata em homens assintomáticos com idade inferior a 75 anos. Não há evidências que essa prática seja eficaz, ou as evidências são pobres e conflitantes e a relação custo benefício não pode ser determinada. Grau de recomendação I.
- Recomenda-se a não adoção do rastreamento de câncer da próstata em homens assintomáticos com idade superior a 75 anos, uma vez que existe nível adequado de evidência mostrando que essa estratégia é ineficaz e que os danos superam os benefícios. Grau de recomendação D.
Como Rastrear
- Tradicionalmente, o toque retal digital era a manobra clínica usada de rotina para rastrear o câncer de próstata. Com o tempo, esse exame perdeu esse status devido à falta de evidências de benefício, baixa sensibilidade e especificidade, tendo sido excluído dos ensaios clínicos de rastreamento mais recentes.
- Largamente disponível a partir dos anos 1990, a dosagem do antígeno prostático específico (PSA) tornou-se rapidamente o teste de referência no rastreamento do câncer de próstata.
- Segundo o INCA (2002), considerando um ponto de corte em 4,0 ng/mL, a sensibilidade estimada do PSA total varia de 35% a 71% e a especificidade de 63% a 91%. E o seu valor preditivo positivo aponta para valores em torno de 28%, indicando grande chance de biópsias feitas desnecessariamente, se 4,0 ng/mL for o valor de PSA usado como referência máxima de normalidade. Lembra-se que os valores de normalidade do PSA total, recomendados em laudos laboratoriais, diferem de acordo com a idade dos pacientes.

- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- Ministério da Saúde
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Sobre
- A rotura de um aneurisma de aorta abdominal (AAA) é um evento grave e altamente letal, levando a óbito em 85% a 90% das vezes em que ocorre.
- Apesar do tabagismo, sexo masculino e idade ≥ 65 anos serem fatores de risco clássicos, estima-se que metade dos AAA incidam em não fumantes, mulheres e < 65 anos.
- A ultrassonografia duplex ou Doppler de aorta abdominal é exame de alta sensibilidade e especificidade no diagnóstico do AAA.
- A avaliação da condição prévia da saúde do paciente e a estimativa do risco de morte em 10 anos são pré-requisitos necessários à decisão de rastrear ou não o AAA.
- O tratamento cirúrgico diminui a mortalidade, sem piora expressiva da qualidade de vida, principalmente, de pacientes masculinos portadores de AAA.
Fatores de Risco e Fatores Protetores

Recomendações
Resumo das indicações - FMUSP
- Rastrear o AAA nas mulheres e homens de alto risco (vide fatores da Tabela 1), assintomáticos, entre 65 e 75 anos de idade.
- Rastrear apenas se a condição prévia da saúde do(a) paciente for boa e o risco de mortalidade em 10 anos (RM10), calculado pelo Índice de Suemoto (E-prognosis), for < 50% ou < 37%, respectivamente, para homens e mulheres.
- https://eprognosis.ucsf.edu/suemoto.php?language=Portuguese
- Utilizar a ultrassonografia duplex ou Doppler de aorta como método de escolha a ser executado uma vez e repetido conforme o resultado inicial, a critério médico.
- Informar o(a) paciente dos riscos possíveis e benefícios esperados dos tratamentos disponíveis, e compartilhar a decisão sobre o rastreamento do AAA com o(a) mesmo(a).
USPFTF
- Recomenda rastrear AAA em todos os homens entre 65 e 75 anos de idade que fumaram em algum momento da vida ou, seletivamente, em não fumantes com outros fatores de risco.
- O rastreamento em mulheres não é recomendado.
- Referência:
- Rastreamento de doenças : inovando o check-up / Mario Ferreira Junior ... [et al.]. - 1. ed. - Santana de Parnaíba [SP] : Manole, 2023.
- USPFTF
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